quinta-feira, 24 de abril de 2014

Clubes são multados por casos de racismo contra Tinga e Arouca

Luiz Augusto Terra


A Confederação Sul-Americana de Futebol e o Supremo Tribunal de Justiça (STJ) puniram, respectivamente, Real Garcilaso (PER) e Mogi Mirim por causa das manifestações racistas de seus torcedores. O time peruano foi multado em R$ 28 mil pelo ocorrido e a Conmebol avisou que, em caso de reincidência, vai interditar o estádio. Já o time brasileiro foi multado em R$ 50 mil mais a interdição de seu estádio por tempo indeterminado.

Na partida válida pela Libertadores, no Peru, ocorrida no dia 12 de fevereiro, o alvo dos insultos racistas foi o volante Tinga, do Cruzeiro. A torcida do Real Garcilaso emitia sons de macaco toda vez que o jogador cruzeirense tocava na bola. Já o volante Arouca, do Santos, foi alvo dos insultos por alguns torcedores do Mogi Mirim, que o chamaram de “macaco“ ao final da partida, válida pelo Campeonato Paulista no dia 06 de março.

Ainda que casos de racismo em países como Itália e Rússia sejam frequentes, mesmo com a punição de multas e perdas de mando de campo, no Brasil nunca foram vistos como algo comum. Assim que a punição imposta aos times peruano e paulista foram divulgadas, jogadores, dirigentes de clubes e a imprensa condenaram tais punições, consideradas brandas, e afirmaram que federações esportivas e autoridades perderam uma oportunidade de mandar um recado contra o racismo, punindo de forma mais severa os envolvidos.

Alvo dos insultos da torcida peruana, Tinga se mostrou bastante decepcionado com as punições. O volante afirmou que a multa financeira e a advertência não são educativas e não eram a repercussão que  caso deveria proporcionar e disse que gostaria de uma punição com uma repercussão social para conscientizar os torcedores sobre a importância de combater o racismo. Além dele, jogadores do time mineiro se manifestaram em apoio ao colega de equipe e também fizeram críticas. O zagueiro Dedé e o meia Ricardo Goulart foram mais rígidos, chegado a dizer que a punição foi “ridícula” e que a Conmebol foi fraca ao aplicar somente uma multa. Essa indignação chegou também à imprensa, como relatou o jornalista esportivo Ricardo Perrone, que afirmou que o torcedor que pratica tais atos não se importa com o que poderá acontecer com seu clube.

- Se você pune o clube com multa, o torcedor vai ver que nada de mais sério acontecerá se ele praticar esses atos, então ele continuará fazendo sempre no pensamento de que sairá impune. E um torcedor que vai para o estádio seja pra promover violência, seja pra praticar atos de racismo, eu acredito que não liga de verdade para o clube, está somente preocupado com si mesmo - disse Perrone.

Para finalizar, foi mais além e afirmou que para acabar ou diminuir drasticamente esses atos, é preciso punir com mais rigor, não só o clube, mas os torcedores infratores também.


- É preciso que o Governo aja em parceria com os órgãos esportivos atuando com uma fiscalização mais rigorosa, prendendo e impedindo essas pessoas de frequentar os estádios por um longo período, como ocorre na Inglaterra, onde torcedores brigões e racistas são proibidos de ir a qualquer estádio por anos - concluiu.

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