A
Confederação Sul-Americana de Futebol e o Supremo Tribunal de Justiça (STJ)
puniram, respectivamente, Real Garcilaso (PER) e Mogi Mirim por causa das
manifestações racistas de seus torcedores. O time peruano foi multado em R$ 28
mil pelo ocorrido e a Conmebol avisou que, em caso de reincidência, vai
interditar o estádio. Já o time brasileiro foi multado em R$ 50 mil mais a
interdição de seu estádio por tempo indeterminado.
Na
partida válida pela Libertadores, no Peru, ocorrida no dia 12 de fevereiro, o
alvo dos insultos racistas foi o volante Tinga, do Cruzeiro. A torcida do Real
Garcilaso emitia sons de macaco toda vez que o jogador cruzeirense tocava na
bola. Já o volante Arouca, do Santos, foi alvo dos insultos por alguns
torcedores do Mogi Mirim, que o chamaram de “macaco“ ao final da partida, válida
pelo Campeonato Paulista no dia 06 de março.
Ainda
que casos de racismo em países como Itália e Rússia sejam frequentes, mesmo com
a punição de multas e perdas de mando de campo, no Brasil nunca foram vistos
como algo comum. Assim que a punição imposta aos times peruano e paulista foram
divulgadas, jogadores, dirigentes de clubes e a imprensa condenaram tais
punições, consideradas brandas, e afirmaram que federações esportivas e
autoridades perderam uma oportunidade de mandar um recado contra o racismo,
punindo de forma mais severa os envolvidos.
Alvo
dos insultos da torcida peruana, Tinga se mostrou bastante decepcionado com as punições.
O volante afirmou que a multa financeira e a advertência não são educativas e
não eram a repercussão que caso deveria
proporcionar e disse que gostaria de uma punição com uma repercussão social
para conscientizar os torcedores sobre a importância de combater o racismo.
Além dele, jogadores do time mineiro se manifestaram em apoio ao colega de
equipe e também fizeram críticas. O zagueiro Dedé e o meia Ricardo Goulart
foram mais rígidos, chegado a dizer que a punição foi “ridícula” e que a Conmebol
foi fraca ao aplicar somente uma multa. Essa indignação chegou também à
imprensa, como relatou o jornalista esportivo Ricardo Perrone, que afirmou que
o torcedor que pratica tais atos não se importa com o que poderá acontecer com
seu clube.
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Se você pune o clube com multa, o torcedor vai ver que nada de mais sério
acontecerá se ele praticar esses atos, então ele continuará fazendo sempre no
pensamento de que sairá impune. E um torcedor que vai para o estádio seja pra
promover violência, seja pra praticar atos de racismo, eu acredito que não liga
de verdade para o clube, está somente preocupado com si mesmo - disse Perrone.
Para
finalizar, foi mais além e afirmou que para acabar ou diminuir drasticamente
esses atos, é preciso punir com mais rigor, não só o clube, mas os torcedores
infratores também.
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É preciso que o Governo aja em parceria com os órgãos esportivos atuando com
uma fiscalização mais rigorosa, prendendo e impedindo essas pessoas de
frequentar os estádios por um longo período, como ocorre na Inglaterra, onde
torcedores brigões e racistas são proibidos de ir a qualquer estádio por anos -
concluiu.
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